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O objectivo de abolir as touradas pode ser considerado pequeno se tivermos em conta o universo do sofrimento animal. É verdade que, no que toca a animais e à forma como muitos são tratados pelo Homem, a tourada é actualmente uma parte muito pequena do problema.
Tem no entanto uma particularidade: é provavelmente a única agressão deliberada a um animal que aceitamos na nossa sociedade com o objectivo de nos divertir. Nem no circo, em que reconhecidamente os animais também sofrem, a agressão é explícita.
A abolição das touradas terá, nesse sentido, uma importância crucial, constituindo um “statement” por parte do estado, como reflexo de uma consciência social, em que valores como o respeito pelo sofrimento dos animais, a nobreza de carácter e a evolução cultural sobrepor-se-ão à tradição, aos costumes, à ignorância e ao egoísmo.
A partir daqui, e depois da sociedade afirmar peremptoriamente que não promove, não apoia e não permite o mau-trato gratuito a nenhuma espécie animal, poderá partir-se para conquistas maiores, num caminho que aponta para uma civilização bem formada, em que o sofrimento terá lugar apenas quando inevitável.
A educação da sociedade e a construção da sua cultura faz-se gradualmente, mas inevitavelmente com rupturas. Esta será importante, e a lição que dará a todos fará com que gerações em crescimento adquiram a sensibilidade e a beleza de carácter que as permitirá compreender não só que não é correcto nem nobre fazer sofrer animais por diversão mas, hopefully também outras coisas que, relacionadas, transcendem a mera salvaguarda do bem-estar animal.
Rui Alexandre
Dizer que sou contra as touradas e afins é muito pouco, e a raiva e a indignação por ter de partilhar este pedaço de terra com “gente” que participa nestes espectáculos é tão grande que me custa sempre argumentar com alguma calma e sem ser em tom ofensivo. Daí que tenha ficado muito orgulhosa e muito agradavelmente surpreendida com o discernimento e a lógica das respostas aos argumentos ( que eu diria imbecis) geralmente apresentados a favor das touradas. Espero sinceramente que muitos jovens portugueses adiram a esta causa já que os mais velhos têm, principalmente, mostrado saber assobiar para o lado e lá vão apadrinhando causas como a da floresta da Amazónia, que está longe e não é necessário enfrentar os lobbys locais.
Pouco tenho a acrescentar ao que li na contra argumentação mas já que tenho esta possibilidade gostava de fazer uma pergunta, a qual faço sistematicamente quando discuto este assunto, mas sempre sem resposta concreta. Esqueçamos o touro e o que ele sofre (a propósito: aquele estrebuchar e agitar desesperado de cabeça e os olhos esgazeados do bicho quando lhe espetam as bandarilhas será de prazer?????? ) mas continuo, esqueçamos o touro. Qual o nome que se poderá dar a alguém que dá dinheiro para poder rejubilar, bater palmas e urrar de satisfação ao ver jorrar sangue de um ser vivo? Seja ele qual for. Pessoa não penso que seja, mas devia ter um nome. Lanço aqui o desafio. Baptizem este espécime! É que, no fundo, já não se trata só de uma obra de caridade a favor dos touros, trata-se, principalmente, de uma obra de caridade para recuperar estes espécimes.
Uma correcção ao que está escrito na argumentação: Haverá quem diga que as touradas são um bonito espectáculo, mas convém não generalizar. Eu não gosto. Nem como espectáculo me parece ter alguma beleza ou interesse. É piroso, a música é do pior, os trajes são todos amaricados e tem tudo um ar decrépito. De bonito só os cavalos, o touro e a porta de saída.
Manu
Congratulo-me e felicito-vos por esta ideia, q merece todo o meu apoio. Desde há vários anos que luto pelo reconhecimento (emergente, aliás, da biologia - com um grande impulso do darwinismo - e das ciências cognitivas ) de que várias espécies de animais não humanos (os mamíferos, vários tipos de aves) são seres sencientes, dotados de sistema nervoso central e periférico, o que lhes permite sensações ditas "humanas",. tais como a alegria, o medo, o pânico, a tristeza, e (interpretando determinados comportamentos) algo que podemos designar como amor. Nessa medida, a imputação de direitos subjectivos a esses animais não humanos afigura-se uma consequência lógica da sua condição biológica: devemos reconhecer aos animais determinados direitos que sejam inerentes à sua capacidade biológica: direito a um tratamento digno, direito a ser protegidos de violências físicas e emocionais, etc... Outros direitos, que são sá atinentes à condição humana, esses, como é óbvio, os animais não humanos não os podem ter: direito ao ensino gratuito, direito ao emprego, à segurança social, etc...
A tourada é, manifestamente, uma prática humana cruel e violentadora da condição dos touros, enquanto seres sencientes. Como tal, deve ser pura e simplesmente erradicada. Nenhum ser humano consciente poderá defender a tese de q os touros não sofrem medo, pânico, dor física, desespero, etc. durante um lide tauromáquica. A nossa condição de seres morais (isto é, seres aptos a emitir juízos de ordem moral) deve conduzir à recusa de práticas crueis, sejam elas quais forem, e ninguém poderá qualificar como moralmente boa uma prática, com a tourada, que inflige, de forma intencional e desnecessária, sofrimento e dor a seres sencientes (cujo ADN é 98% semelhante ao nosso).
MP
Acho que a tourada é um acto cobarde por parte do homem. Para chegar a esta conclusão basta analisarmos a forma como a tourada decorre.
A tourada é um conjunto de homens (não sei quantos, mas sei que são bastantes) que passam uns minutos valentes a tentar matar um touro (um apenas). Como se não bastasse a desvantagem numérica, os homens usam armas. Ao touro, são muitas vezes cortados os cornos (não sei se isto se passa em Portugal ou em que país isto é feito mas vi que lhes cortam os cornos, ou pelo menos cortavam), não só o touro fica sem a sua principal arma de defesa como fica muito desorientado (imaginem que vos cortam as duas mãos minutos antes de vocês entrarem na arena, as duas mãos que vocês usam e têm à anos, tal como nós, durante a maior parte do tempo que está na arena, o touro pensa que ainda tem os cornos "completos", por exemplo, as pessoas que são amputadas dizem que sentem os membros e pensam que os têm muitos dias e/ou semanas depois de terem ficado sem eles. Este aspecto faz com que o touro pense que vai acertar em determinada coisa mas afinal passa-lhe ao lado pois faltam-lhe alguns centímetros de corpo.
Outro aspecto que a meu ver é bastante cobarde é que, não bastando a desvantagem numérica, os homens passam grande parte do tempo a cansar o touro. Um touro enfrenta dezenas de homens diferentes. O mesmo touro enfrenta os forcados; enfrenta diferentes toureiros (não sei quantos ao certo); toureiros a cavalo; e aqueles "toureiros" que andam lá dentro só para chamar a atenção do touro e para tentarem salvar algum toureiro caso a coisa corra mal para os homens. O touro começa "bem" e chega ao fim da tourada cheio de coisas estranhas espetadas no seu corpo. Apenas posso descrever este acto como tortura. O touro é desgastado ao longo de toda a tourada de várias "pessoas".
Quanto ao touro não sofrer. Acho que essa afirmação é pura e simplesmente estúpida. Isso é atirar areia aos olhos das pessoas. Essa afirmação é quase a mesma coisa que cuspir na cara de quem tem dois dedos de testa. "O touro não sofre"? Por favor.
Quanto à tradição. Acho que vocês disseram exactamente o que eu penso. Também havia a tradição de queimar as "bruxas". As tradições chegam a um fim. A raça humana evolui (ou pelo menos devia) e aquilo que é considerado estúpido e obsoleto é deixado para trás e proibido para o bem da humanidade. É quase tradição os jovens adolescentes experimentarem drogas. Não é por isso que as drogas são legais.
A questão de respeitar os gostos dos outros é uma questão completamente aparte da tourada. Respeitar as opiniões dos outros é, a meu ver, uma obrigatoriedade nos tempos que correm. O problema está quando fazemos sofrer um animal por pura diversão. Não está em causa quem gosta disso. Também há quem goste de comer merda e de mijar para cima das gajas. Isso é com cada um. Só me posso "revoltar" quando animais (neste caso) inocentes e sem a menor ideia do que se passa são utilizados e massacrados por pura diversão. Só o acto de serem massacrados e torturados é condenável.
A tourada pode ser uma arte com o seu mérito técnico mas não deixa de ser uma tortura imposta a um animal inocente. Não deixa de ser bárbaro.
Acho que os argumentos utilizados por quem apoia as touradas são um pouco antiquados e sem razão de ser. Todos podem ser confrontados e desmontados com a maior das facilidades. Por exemplo o que diz que o touro não existiria sem a tourada é simplesmente cómico. E são quase todos assim.
Sérgio Luís
Li a notícia que no dia 16 de Maio vai ser inaugurada a Praça de Touros do Campo Pequeno em Lisboa e no dia 18 vai realizar-se o primeiro espectáculo de Martírio de Touros e Cavalos (dita tourada). Está marcada uma manifestação para esse momento. NÃO FIQUEM DE BRAÇOS CRUZADOS A DIZER QUE NÂO CONCORDAM COM AS TOURADAS: TODOS À MANIFESTAÇÃO CONTRA AS TOURADAS NO CAMPO PEQUENO EM LISBOA NO DIA 18 DE MAIO ÀS 20H, com a participação da Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais, Movimento Anti-touradas de Portugal, Movimento Internacional em Defesa dos Animais, Movimento pelo Direito à vida Animal, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental e de todos aqueles, como eu, que gostariam de um pouco mais de dignidade cívica na nossa Cidade e no nosso País. O Martírio de qualquer ser vivo para fins lúdicos é, não só, totalmente inútil e injustificado como totalmente indigno e humilhante para qualquer humano normal.
Obrigada pela vossa atenção
Manu
http://camaradapatrao.blogspot.com/2005/04/corrida-moderna-portuguesa.html
camarada patrão